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Registramos, na íntegra, o texto sobre esse fato histórico de nossas entidades. Esperamos que seja o início de uma nova era depois de anos de relações interrompidas.


COFEN é recebido na ABEn

Reunião em Brasília entre os Presidentes da ABEn e COFEN teve objetivo de tratar assuntos de interesse comum da Enfermagem.

O Presidente do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), Manoel Carlos Néri da Silva, solicitou a audiência e foi atendido pela dirigente da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), Maria Goretti David Lopes, na sede da ABEn Nacional, em Brasília, na última terça-feira (11/03).

A intenção do encontro proposto por Manoel Néri foi retomar o diálogo entre as duas organizações, interrompidas por divergências éticas e políticas, estabelecidas por ex-gestores do sistema COFEN/COREN's. A presidente da ABEn, Maria Goretti, deixou claro que a Associação que
dirige foi a principal responsável pela criação do COFEN, fazendo inclusive a indicação da primeira diretoria do órgão. Portanto, "o COFEN surgiu da luta da categoria liderada pela ABEn". A conversa, na
opinião de Manoel Néri, foi pautada pelo interesse recíproco do desenvolvimento da Enfermagem brasileira.

Maria Goretti deixou claro que o ponto de partida do diálogo é a democracia e transparência no Sistema COFEN/COREN's, e solicitou à Manoel Néri a continuidade das apurações no caso do desvio dos mais
de R$ 50 milhões do COFEN, cujos processados são os ex-gestores da Autarquia, bem como a devida punição àqueles que contribuíram para manchar a trajetória da profissão, voltada para a atenção à saúde da população. "A ABEn não desistirá da punição aos assassinos dos enfermeiros Marcos e Edma Valadão e daqueles que covardemente os contrataram. Tentaram calar a voz dos que lutavam pela democracia e a ética no Sistema COFEN/COREN's. E a história não permite a omissão da Enfermagem brasileira neste caso" - disse a presidente da ABEn.

De outro lado, Manoel Néri, do COFEN, reafirmou: "continuamos colaborando com o trabalho da polícia e do Ministério Público Federal. Não podemos permitir irregularidades no órgão que fiscaliza e normatiza o exercício da profissão dos Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem". Disse ainda que o Sistema COFEN/COREN's passa, hoje, por um processo de mudanças e dentre outras destacou a
transferência da sede do COFEN para Brasília e a transparência no pleito eleitoral dos COREN's. "Por isso, precisamos nos unir com entidades representativas. Assim conseguiremos construir novas
perspectivas para a Enfermagem", explicou ele, lembrando que o Brasil possui atualmente mais de 1 milhão de profissionais de Enfermagem.

Na opinião de Maria Goretti, é necessário respeitar as competências de cada organização. "Reaproximações como essa, entre a ABEn e o COFEN, que foi criado pela luta dos profissionais, à época para ser o normatizador da profissão, estimulam o desenvolvimento político da Enfermagem no país. Reiniciamos um diálogo, interrompido por desmandos e autoritarismo, de quem preferia exercer um poder unipessoal e corrupto. A excelência das propostas, começando com o cumprimento dos nove itens estabelecidos na Recomendação 002/2006 do Ministério público Federal, poderá nos unir para um novo tempo" - diz a Presidente.

Outro ponto discutido foi o Código Eleitoral, que precisa passar por modificações, para tornar as eleições do sistema COFEN/COREN's democráticas. Maria Goretti defendeu as eleições diretas e informou-o
das articulações promovidas pela ABEn para modificação da lei que ora rege o Sistema. Ela e Manoel Néri analisaram também os vários projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional, como o que pretende reduzir para 30 horas a jornada semanal de trabalho dos profissionais de Enfermagem, estabelecendo uma agenda mínima consensual para atuação com relação as matérias de interesse da categoria.