TEMA: Estomias

TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR A CRIANÇA COM ESTENOSE CAUSTICA DE ESÔFAGO: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Sandra Marina Gonçalves Bezerra*,

Luciana Spindola Touissant,

Wesllany Sousa Santana,

Francilene Braz Medeiros,

Alba Valéria Batista,

Gardene Lacerda Fabiana Santos Bernardes Neri

Introdução: A estenose caustica de esôfago é resultante de uma lesão intensa da mucosa esofágica, resultante da ingestão de agentes corrosivos (ácidos ou básicos) com consequente espessamento de suas camadas mucosa, submucosa e muscular, podendo evoluir até para fibrose. Esse agravo apresenta como principais sintomas: disfagia progressiva, iniciando-se com alimentos sólidos e progredindo até líquidos, regurgitação e azia1. Objetivos: Relatar a experiência de cuidar de criança com estenose cáustica de esôfago e infecção periestoma. Metodologia: Trata-se de relato da experiência referente ao cuidado a uma criança vítima de lesão cáustica do esôfago e infecção periestoma, internado em um Hospital Público de pequeno porte. O estudo foi autorizado pela direção geral do hospital e responsável pelo menor, ao qual foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido conforme Resolução nº 196/1996 do CNS2. Resultado: Criança de 17 meses, natural do interior do Pará, ingeriu soda caustica acidentalmente no domicílio, culminando com um quadro de estenose esofágica e necessidade de confecção de gastrostomia temporária. Após alta, foi dado entrada no processo de Tratamento Fora do Domicilio (TFD) 3 para dilatação esofágica. Os familiares, por conta própria buscaram tratamento na cidade de Teresina-PI, sem agendamento prévio e encaminhamento pelo SUS. Menor foi admitido com quadro estável: consciente, ativo, deambulando, apresentado infecção e granuloma periestoma, onde iniciou tratamento clínico, cuidados de enfermagem, avaliação nutricional para adequação da dieta. Os responsáveis foram orientados e assistidos pela equipe multiprofissional, onde foi substituído o cateter de gastrostomia e indicado as seções de dilatação esofágica. Os principais diagnósticos de Enfermagem apresentados foram: Nutrição desequilibrada, menor que os requisitos corporais, relacionada com problemas da alimentação enteral; Infecção relacionada com a presença da ferida e da sonda; Integridade cutânea prejudicada 4. Foram realizadas as prescrições de Enfermagem e orientações aos cuidadores sobre higiene e conforto da criança e cuidados com e estoma, para prevenção de complicações potenciais: como Infecção da ferida, celulite ou abscesso na parede abdominal, sangramento gastro intestinal e remoção prematura da sonda. A equipe multiprofissional viabilizou as consultas com especialistas e condutas para o TFD, já iniciado no Pará, uma vez que Teresina não está realizando pelo SUS dilatação esofágica em criança. Conclusão: Os acidentes domésticos levam a complicações sérias na vida da criança, uma vez que procedimentos especializados não são feitos em todos os serviços de saúde. Percebeu-se que o processo de TFD ainda é demorado e que familiares, mesmo tendo as orientações adequadas não aguardam o processo de encaminhamentos e chegam a buscar outros estados para agilidade no tratamento, o que nem sempre é garantido e pode agravar o quadro da criança. Além de não usufruírem o direito legal instituído pelo SUS, que é o encaminhamento para serviço especializado com agendamento prévio, passagens e diárias para ajuda de custo. Desde a sua internação até a alta, houve engajamento da equipe multidisciplinar no apoio e atendimento das necessidades humanas básicas, ao tempo que buscou contatos para agilizar o andamento dos procedimentos dilatação do esôfago e consequente fechamento do estoma.

Palavras-chave: Enfermagem, estomia, assistencia

1 Andreollo NA, Lopes LR, Inogutti R, Brandalise NA, Leonardi LS. Tratamento conservador das estenoses benignas do esôfago através de dilatações. Análise de 500 casos. Rev Ass Med Brasil 2001.

2 Ministério da Saúde (Brasil). Resolução 196/96. Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília: Conselho Nacional de Saúde, 1996.

3 Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Coordenadoria De Planejamento De Saúde. Manual de Normatização do Tfd - Tratamento Fora do Domicílio do Estado de São Paulo. São Paulo, Dezembro/2009.

4 Nanda International. Nursing diagnoses: definitions and classification 2009-2011. Indianapolis: Wiley-Blackwell; 2009.

*Mestre em enfermagem pela Universidade Federal do Piauí. Diretora geral da Unidade Integrada de Saúde Parque Piauí. Docente da Universidade Estadual do Maranhão-Caxias. Email: sandramarina20@hotmail.com|0